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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Benefícios da fisioterapia no trabalho de parto



Fisioterapeuta, com mestrado e doutorado em Ciências pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de São Paulo-USP.

Ao longo de nove meses, o nascimento do bebê é o momento mais esperado por todas as gestantes. Porém, a hora do parto também gera muitas dúvidas, alguns medos e angústias nas futuras mamães.

Para auxiliar neste momento tão especial, a fisioterapia surge como uma ferramenta bastante eficaz para as mulheres que optam pelo parto normal. A maior tranquilidade da mãe, diminuição da dor e aceleramento do nascimento do bebê estão entre os benefícios da prática destes exercícios durante o trabalho de parto.

Para esclarecer eventuais dúvidas, a fisioterapeuta Cláudia de Oliveira, que atua na área da saúde da mulher, explica mais detalhes sobre o tema. Acompanhe:

1. Como é realizada a fisioterapia durante o trabalho de parto?
C.O. – Basicamente é a orientação de movimentos pélvicos que podem facilitar a descida do polo cefálico de acordo com o partograma (representação gráfica do trabalho de parto). Estes movimentos são realizados de forma individualizada, pois é respeitada a mobilidade corporal de cada mulher. Portanto, não existe uma regra, todas as mulheres são assistidas de maneira personalizada.

2. Quem pode auxiliar a parturiente nestes exercícios?
C.O. – O fisioterapeuta obstétrico é o profissional mais qualificado para orientar os exercícios durante o trabalho de parto.

3. A fisioterapia ajuda a diminuir a dor do trabalho de parto? De que forma?
C.O. – De certa forma sim, pois a dor pode ser minimizada se a gestante estiver concentrada nos movimentos que precisa fazer para facilitar a saída da criança. O desconhecimento sobre seu corpo gera ansiedade e medo e esses são fatores importantes para o aumento da dor.

4. Qual é a importância destes exercícios para o nascimento do bebê?
C.O. – Os exercícios contribuem para que a criança nasça no tempo certo, evitando o sofrimento fetal. Um estudo realizado na Universidade de São Paulo pela fisioterapeuta Eliane Bio, mostrou uma redução de 3 horas no tempo total de trabalho de parto nas mulheres que fizeram fisioterapia quando comparadas a um grupo sem fisioterapia.

5. Fazer estes exercícios durante o trabalho de parto ajuda no equilíbrio emocional e tranquilidade das mães?
C.O. – Sim, quando a gestante aprende a respirar e a se movimentar com segurança, adquire naquele momento mais equilíbrio da situação e, desta forma, fica mais tranquila.

6. Há alguma contra indicação?
C.O. – Não, pois o fisioterapeuta especialista em Obstetrícia segue o partograma preenchido pelo médico ou enfermeira durante o trabalho de parto e, caso haja alguma intercorrência saberá o momento de suspender os exercícios.

 




quinta-feira, 19 de março de 2015

MOTIVOS PORQUE TODA MULHER DEVERIA FAZER FISIOTERAPIA DE PERÍNEO

Posted by Laura Della Negra

Quem nunca ouviu a avó dizendo que perde urina? Uma amiga que acabou de ter bebê reclamando de flacidez vaginal ou às vezes até mesmo perda de gases vaginais.Uma amiga que pratica corrida ou outros esportes de impacto e perde urina?

Pois saiba que 30 % das mulheres não tem consciência do assoalho pélvico. E não é culpa nossa, como conhecer um músculo que não sabemos ao menos onde fica?

Ocorre que muitas vezes o profissional que nos dá aula de ginástica também não sabe. Por diversas vezes esse músculo é confundido com o glúteo e os adutores (bumbum e parte interna da coxa). Assim, como ele está numa região “íntima” não é possível reconhecer a contração, e o profissional não pode dar um exemplo mostrando como fazer o exercício.

Antigamente a incontinência urinária era encarada como uma doença de idosos.Entretanto, a incontinência urinária (IU) é uma queixa comum na população feminina em geral, com taxas que variam entre 10% e 55% em mulheres de 15-64 anos. Em praticantes de esportes pode variar de 0 a 80%.

Os fisioterapeutas especializados em reabilitação do assoalho pélvico sabem reconhecer e avaliar essa musculatura comexames e testes específicos. Existemexercícios específicos que devem ser dados às mulheres que tem falta da consciência dessa musculatura e exercícios avançados que são dados a mulheres que já sabem contrair.

A idéia do fisioterapeuta deve ser de ensinar e orientar a mulher sobre: como, onde, e quando realizar as contrações.

Posted by Laura Della Negra


quinta-feira, 8 de maio de 2014

O que é Fisioterapia Pós-Parto?


Todas as mulheres, logo após o parto, deveriam ser acompanhadas por fisioterapeuta especializado, com o  objetivo de uma melhor recuperação, independente do tipo de parto realizado. Toda mulher precisa dessa assitência
imediata após o parto, mas infelizmente, no Brasil, poucas mulheres são orientadas para a importância desse trabalho.

Quais são as principais alterações que podem ocorrer nesse período?
Dor no local da incisão (cesárea, episiotomia ou laceração), edema, incontinência urinária, diástase abdominal.

Quais são os objetivos da Fisioterapia no pós-parto?
Pós-Parto inicial: reduzir edema, reduzir dor e prevenir aderências, trabalhar músculos do assoalho pélvico.
 Pós-Parto Tardio: avaliar existência de diástase do reto abdominal, aumentar a força e restaurar o tônus muscular, desenvolver força nos membros superiores paras os cuidados com o bebê. 

Todas as pacientes abaixo, fizeram menos que 10 sessões de fisioterapia e apresentam 2 a 4 meses de pós parto.




Dúvidas?
Elaine Spinassé Camillato
Fisioterapeuta
Especialista em saúde da mulher
Mestre em Ciências da saúde
Elainefisio1@hotmail.com

domingo, 5 de maio de 2013

Gravidez » Brasil ignora acompanhamento da musculatura pélvica no pré-natal As possíveis consequências da falta de preparação do períneo para o parto são as incontinências urinária e fecal e a dor na relação sexual


Por Valéria Mendes - Saúde Plena
Publicação:02/05/2013

Uma em cada três mulheres será afetada pela incontinência urinária durante a sua vida. A primeira gravidez e o parto são os fatores que mais contribuem para a disfunção
Claire Lundbert é uma escritora de Nova York que teve sua filha em Paris em novembro de 2011. Em artigo publicado na Slate, revista americana online, no início do ano seguinte (clique e leia na íntegra), ela conta que após o parto descobriu que a França é um dos poucos países do mundo a oferecer gratuitamente um programa de fortalecimento do períneo. Em princípio, ela estranhou para, posteriormente, entender que esta era uma excelente iniciativa para se prevenir complicações futuras: a incontinência urinária, a incontinência fecal e a dor na relação sexual. “Nos Estados Unidos, a mulher americana se encontra totalmente desamparada e sozinha com a sua vagina, o seguro saúde nunca ouviu falar nisso e se, mais tarde, ela desenvolve incontinências, dores e cistites o problema é dela”, escreveu.

No Brasil não é diferente. É realidade a ausência de um protocolo médico no pré-natal no tema assoalho pélvico. “Não existe recomendação especial para que o médico encaminhe a paciente para esse tipo de assistência, fica muito a critério do especialista”. A afirmação é da diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOCIMIG), Cláudia Lodi. No entanto, relatório de um programa holandês referência no mundo em relação a esse tema, o Motherfit (clique e conheça), diz que uma em cada três mulheres será afetada pela incontinência urinária durante a sua vida. A primeira gravidez e o parto são os fatores que mais contribuem para a disfunção.

A falta de informação chega ao ponto de algumas mulheres não saberem o que é o períneo. “É o espaço entre a vagina e o ânus. Ele é o principal músculo da região e ajuda na sustentação de todos os órgãos pélvicos, como a bexiga e o útero”, explica Lodi. Professora da Faculdade de Ciências Médicas, autora e organizadora do livro Fisioterapia aplicada à saúde da mulher, a fisioterapeuta Elza Baracho esclarece por que a gravidez é um fator de risco. “Não só pelo aumento corporal, mas a própria alteração de postura com o aumento do abdômen gera um comportamento de compensação que vai enfraquecer o assoalho pélvico”, explica. E ainda: “a gravidez aumenta a pressão intra-abdominal que vai aumentar a demanda da musculatura pélvica”. A especialista explica que se a mulher optar pela via de parto vaginal, a ênfase na reeducação pélvica torna-se ainda mais relevante. “Essas mulheres têm que ser preparadas para esse parto”, observa. No caso da cesariana, ela diz que não existem estudos conclusivos que afirmam que a alternativa é um fator protetor do assoalho pélvico. “A musculatura deveria ser trabalhada por todas as mulheres, independente da via do parto”, alerta.

Obstetra e uroginecologista, Cláudia Laranjeira corrobora: ”a gravidez, por si só, já tem um efeito no assoalho pélvico. Dizer que o risco da cesariana é zero, é mentira. O parto vaginal gera uma sobrecarga maior por causa da passagem do feto”. No entanto, a médica explica que a forma como o parto é feito pode amenizar muito esses efeitos. Entre elas, uma posição mais verticalizada, evitar o corte (episiotomia) e o uso de fórceps.

Laranjeira defende que a avaliação do assoalho pélvico deve vir acompanhada da decisão de se engravidar, ou seja, antes do pré-natal. “Hoje se tem certeza que a fisioterapia específica para a musculatura pélvica tem papel importantíssimo na prevenção das disfunções [incontinência urinária, fecal e dor na relação sexual]. Quem mais estuda o tema no mundo inteiro são os europeus porque eles têm uma taxa de parto normal muito maior que a nossa”, diz. Ela pontua que os exercícios durante a gravidez melhoram muito a elasticidade da fibra muscular e vai ajudar na hora do parto. “A gravidez aumenta gradualmente a sobrecarga do assoalha pélvico e as pesquisas comprovam que para incontinência urinária, os exercícios previnem sim. Para as outras disfunções, já temos também resultados positivos a favor desse acompanhamento”.


"Não tive escape de urina durante toda a gravidez e meu parto foi super tranquilo" - Thaís Dufles Vieira é psicóloga e fez acompanhamento da musculatura do assoalho pélvico durante toda a gestação e também no pós-parto
Avanços
Thaís Dufles Vieira é psicóloga e tem 33 anos. Ela é mãe de Davi, que tem 10 meses de vida, e é um exemplo feliz de gravidez com informação e cuidado. “Eu sempre quis parto normal”, diz. Diante dessa informação, ela conta que foi orientada pela médica sobre a importância de fortalecer o períneo. Dufles procurou uma fisioterapeuta, aprendeu os exercícios e a cada dois meses retornava para acompanhamento. “É muito simples. Dá para fazer quando estamos parados no trânsito”, incentiva. Ela conta que o fortalecimento da região auxilia durante a gravidez, na hora do parto e depois. “Não tive escape de urina durante toda a gravidez e meu parto foi super tranquilo”, conta. A mãe de Davi, alerta, entretanto que pode ser difícil trabalhar a musculatura da pelve por falta de consciência corporal e por isso, não se pode abdicar de um acompanhamento profissional. “A mulher pode ficar um pouco perdida. Minha dica é: finge que está fazendo xixi e tenta prender. É mais ou menos esse músculo”, fala.

Baracho diz que o Ministério da Saúde tem preconizado a importância de os médicos indicarem o acompanhamento da musculatura pélvica durante a gravidez. Com isso, os profissionais têm se conscientizado mais e a corrente vem aumentando. “É um caminho a se percorrer. Precisamos dar à mulher essa condição de cuidado com o próprio corpo”, afirma. Como mudança desse cenário, a fisioterapeuta conta que recebe pacientes de médicos que não fazem parto normal sem pedir uma avaliação do músculo. “É um universo pequeno no número de médicos existentes e gostaria que houvesse essa cultura de avaliação do assoalho pélvico. O mundo está falando sobre isso. Vários estudos internacionais elucidam que uma mulher preparada na gravidez tem chance maior de não ter problema depois. As pesquisas internacionais sustentam a parte clínica”, completa. “Em breve a reeducação do assoalho pélvico será reconhecida na gravidez de todas as mulheres e quem sabe até com um lugar no cartão de pré-natal. Vamos torcer”, encerra.


"A gravidez aumenta a pressão intra-abdominal que vai aumentar a demanda da musculatura pélvica", alerta a especialista em saúde da mulher, a fisioterapeuta Elza Baracho
Laranjeira trabalha em um hospital particular de Belo Horizonte que já tem um protocolo. “Estamos tentando inserí-lo no atendimento de pré-natal de cada médico da minha equipe”, afirma. “Na Europa é rotina, já faz parte. Ainda não temos isso estabelecido no Brasil porque é um serviço que demanda infra-estrutura. A logística não é exequível e os serviços de saúde já têm que começar a entender que isso é necessário como o exame de sífilis ou o exame de urina. Tem que passar a ser uma rotina, assim como as orientações de aleitamento, para que tenha maior adesão”, enfatiza.

Sexo
Trabalhar o assoalho pélvico não deixa de ser também um cuidado com a auto-estima. Os exercícios interferem positivamente no desejo sexual. Elza explica que a disfunção desse músculo diminui a excitação. “Melhorando a função muscular, a mulher tem uma excitação mais preservada”, afirma. A especialista em saúde da mulher diz que para se chegar ao orgasmo, a mulher passa, antes, pelas fases do desejo e excitação. Na sequência vêm o gozo e a resolução. “Com uma boa função muscular a mulher terá uma sexualidade mais prazerosa”, resume. A ginecologista Cláudia Lodi corrobora: “a musculatura fortalecida vai facilitar que a mulher tenha mais prazer e também o seu parceiro”.

Europa e Brasil
Não é só a França que é exemplo no cuidado com a saúde da mulher durante a gravidez. A Noruega e a Holanda estão entre os países europeus que são referência no assunto. Os protocolos médicos se diferenciam, mas a assistência serve de inspiração a outros países que começam a se atentar para a prevenção de problemas na temática do assoalho pélvico. “No mundo, principalmente na Europa, o atendimento é pago pelo governo porque o índice de partos normais é altíssimo”, pontua Baracho.


Belo Horizonte vai testar o protocolo holandês através do programa Motherfit
O fisioterapeuta holandês Bary Berghmans está à frente do Motherfit (clique e conheça), um projeto multicêntrico entre a Europa e Brasil. O protocolo que o especialista usa no país de origem está sendo testado em Curitiba e chegará a Belo Horizonte.

Saúde Plena: Na Holanda, a reabilitação do assoalho pélvico é reconhecida no pré-natal, certo?
Bary Berghmans: A fisioterapia pélvica é reconhecida como especialidade fisioterápica pelo governo da Holanda. A organização é chamada de Associação Holandesa para a Terapia Médica em Transtornos do Assoalho Pélvico [com a sigla NVFB no idioma original]. Os membros da equipe médica pré e pós-natal da NVFB são fisioterapeutas especializados em cura e tratamento da área abdominal, pélvica e lombar de mulheres, mas também de homens e crianças.

Durante a gestação, as mulheres são orientadas tanto por ginecologistas ou por seus clínicos gerais. De maneira voluntária, essas mulheres podem praticar ginástica específica para gestantes, guiadas por um professor [zwangerfit], um fisioterapeuta que promove treinamentos em grupo e oferece também informações às grávidas como uma espécie de preparação para o parto.

SP: Vocês estão testando o protocolo holandês em Curitiba?
BB: Estávamos planejando fazê-lo em parceria com o Departamento de Ginecologia da PUC-PR, fizemos alguns trabalhos de pesquisa sobre a viabilidade do projeto, mas apesar de termos compartilhado nossos protocolos e discutido procedimentos, o Motherfit ainda está para começar em Curitiba, mas com certeza será iniciado por lá sob o controle da Dra. Maura Seleme, diretora da Associação Brasileira de Ajuda e Formação sobre Incontinência Urinária (Abafi).

SP: Belo Horizonte é a segunda cidade brasileira que testará o protocolo?
BB: Atualmente, nosso hospital universitário em Maastricht está negociando com diferentes parceiros do Brasil para trabalhar em conjunto no projeto Motherfit e uma das cidades mais prováveis é Belo Horizonte, sob a responsabilidade da professora Elza Baracho.

Para financiar o projeto estamos angariando suporte financeiro na comunidade europeia. Para isso, é importante que pelo menos três universidades da comunidade participem do programa. Além de nossa universidade [a Maastricht University Medical Centre], haverá a Universidade de Trondheim, na Noruega, e a Universidade de Viena, na Áustria. A Associação Europeia de Uroginecologia e a Associação Internacional Uroginecológica já proclamaram apoio ao Motherfit. É importante também contar com aliados fora da Europa, como o Brasil.

Os parceiros brasileiros devem executar, a princípio, estudos como entrevistas de grupos focais e levantamentos para determinar qual é o tratamento usual relacionado a problemas do período periparto - definido como desde o último mês de gravidez até cinco meses após o parto - e definir a relevância do tratamento de assoalho pélvico nesse contexto, assim como fizemos na Holanda. Estamos analisando os dados coletados [na Holanda] e publicaremos em tempo.